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CÓNEGO JOSÉ M. SERRAZINA

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CÓNEGO JOSÉ M. SERRAZINA

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CÓNEGO JOSÉ M. SERRAZINA

São duas as razões que determinaram a elaboração deste livro sobre o Cónego José Mendes Serrazina (JMS) – para nós P. Serrazina: O reconhecimento do papel relevante que desempenhou na paróquia e na freguesia de Benedita; e o facto de ter sido reflexo e actor da história da Igreja e da sociedade, na segunda metade do século XX. Não se pretende fazer aqui um panegírico das suas qualidades e virtudes; procura-se apenas tê-lo presente na nossa memória e na construção do nosso futuro. Também não se pretende colocá-lo num pedestal acima dos seus contemporâneos e conterrâneos; procura-se apenas ver nele um exemplo visível do labor e mérito de inúmeras pessoas construtoras do nosso passado e nossas companheiras, vivas ou falecidas, na construção do futuro.

Podem considerar-se quatro períodos fundamentais na vida do P. Serrazina: Até ao Concílio Ecuménico Vaticano II; desde o Concílio até 1974; a partir daí; e, depois, até à morte.

O primeiro período corresponde à infância, juventude e aos primeiros anos do seu múnus sacerdotal. Na infância e juventude, sobressaiu a sua invulgar conciliação entre as actividades intelectuais e as manuais, entre a teoria e a prática, a vida familiar e a espiritualidade, bem como o enraizamento de uma profunda orientação vocacional. Tornou-se patente, desde muito cedo, que JMS não se dedicaria a uma actividade predominantemente intelectual, embora dispusesse de todas as condições para isso; pelo contrário, tudo nele se orientava para a acção pastoral de contacto directo com as pessoas e seus problemas. Nesta ordem de ideias, cuidou da preparação intelectual e espiritual, no sentido mais corrente, mas também estudou música, para além do que era normal, adquiriu a prática de organista e de regente de grupos corrais, qualificou-se especialmente na liturgia e deixou-se imbuir, fortemente, pelo ideal e pela prática do escutismo católico e da doutrina social da Igreja. Assim, apetrechou-se cabalmente para o conveniente desempenho da sua missão presbiterial.

Foi também ao longo deste período que se consolidou nele uma profunda ligação à Família e à sua terra natal. Numa época em que a vida consagrada e a sacerdotal eram vistas como afastamento da família, JMS seguiu o caminho do aprofundamento. Dir-se-á que ele intuíu o enraizamento na família como via natural, e indispensável, de inserção em toda a família humana e no carácter universal da Igreja Católica.

Dedicou-se, no múnus sacerdotal, a quatro áreas que o marcaram ao longo de toda a vida. Uma delas foi a actividade de formador, no Seminário de Santarém; aí cooperou activamente na abertura da instituição à pedagogia moderna, preservando a fidelidade aos princípios da formação integral. A segunda área de actividade relevante foi a do laicado, especialmente através da Acção Católica, no meio rural; contribuiu decisivamente para a afirmação da identidade própria do laicado, preservando a cooperação indispensável com a Hierarquia. A terceira área foi a da família; com uma intuição extraordinária, soube defender os princípios sadios da família tradicional e abriu caminhos ao planeamento familiar – paternidade e maternidade responsáveis – à luz da doutrina da Igreja. A outra área foi a acção social – pastoral social, em termos eclesiais -que emanava das anteriores e se traduzia, particularmente, na sensibilidade às pobrezas e injustiças, visando sempre o compromisso coerente na procura das soluções necessárias; a própria criação do movimento dos Casais de Santa Maria e a respectiva ligação à Acção Católica brotaram de preocupações sociais, a par de outras razões.

(…)

Acácio F. Catarino

Categoria: Livros
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